A geologia sedimentar de Macapá, situada na margem norte do Canal do Norte do Rio Amazonas, impõe desafios sísmicos particulares que vão além da baixa sismicidade regional. Os solos aluvionares profundos, com camadas alternadas de argilas moles e areias finas saturadas, amplificam as ondas de forma imprevisível. Um perfil MASW bem executado revela essa estratigrafia oculta. O ensaio registra a dispersão das ondas Rayleigh geradas por uma fonte ativa, permitindo calcular a refração sísmica para complementar a definição do contato solo-rocha. A cidade, com seus cerca de 500 mil habitantes, concentra obras no planalto costeiro onde a VS30 raramente ultrapassa 200 m/s nos primeiros 30 metros. Isso classifica os terrenos como tipo D ou E pela ABNT NBR 15492, exigindo atenção redobrada no projeto estrutural.
A umidade relativa do ar, que beira os 85% na estação chuvosa, também influencia a propagação das ondas superficiais. O acoplamento dos geofones ao solo precisa de cuidados extras para evitar ruídos espúrios. O resultado final é um modelo de rigidez do subsolo que alimenta diretamente a análise de resposta sísmica local e o microzoneamento sísmico, ferramenta indispensável para empreendimentos de maior porte na capital amapaense.
A VS30 em Macapá frequentemente revela solos classe D e E, exigindo perfis MASW de alta resolução para não subestimar a amplificação sísmica.
